As efemérides internacionais de 2019

Salve, estudantes! No artigo de hoje vamos abordar as efemérides internacionais, ou seja, aqueles eventos que celebram aniversário seja por motivos humanitários ou pelas polêmicas que provocam ainda nos dias atuais. Nesse sentido, vale lembrar que o estudo dessas efemérides dizem tanto sobre o nosso passado quanto também sobre a temperatura política do nosso contemporâneo.

Tal como fizemos no último artigo sobre os eventos brasileiros, nós vamos traçar um percurso cronológico ao longo da história de modo que possamos dialogar com os temas de Filosofia e Sociologia que podem ser explorados em cada assunto, ok? Caneta em mãos para as anotações que vamos começar!

1789 – 230 anos da Revolução Francesa

Tendo como ponto de partida a chamada Modernidade, é preciso levar em consideração a atualidade dos valores liberais da Revolução Francesa. Junto com as Revoluções Inglesas do século XVII (a Puritana, de 1640 e a Gloriosa, de 1689) e a Revolução Americana de 1776, ela destruiu as bases feudais e absolutistas e deu origem a um regime representativo baseado na soberania popular.

A conquista da igualdade pela mulher, a extinção da escravidão e, sobretudo, a defesa da eliminação das desigualdades sociais são algumas das heranças do evento francês que ainda pautam a nossa atualidade. Vale chamar a atenção também para a inauguração da clássica distinção entre “direita” e “esquerda” ganhou corpo e volume ao longo da história política. Para saber mais, sugiro o livro “A Revolução Francesa explicada à minha neta”, do renomado historiador francês Michel Vovelle.

1929 – 90 anos da Crise da Bolsa de Nova York

Após a 1º Guerra Mundial, os países Aliados aos Estados Unidos assistiram a um período de euforia econômica e social. Afinal, a chamada “Grande Guerra” se desdobrou praticamente em solo europeu, enquanto a nação norte-americana capitaneava o Tratado de Versalhes que, em 1919, impôs severas multas e restrições aos países derrotados, como a Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro.

Dentre os assuntos domésticos estadunidenses, as relações entre Estado e mercado ganhou força. Quais as funções do Estado e, digamos, qual o tamanho de “sua mão invisível” passaram a ser cada vez mais presentes e necessárias. Esse debate ganhou relevância com a crise econômica de 1929, o primeiro colapso econômico com impactos internacionais. Para saber mais, confira o premiado filme “Trabalho Interno”, de Charles Ferguson e essa entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

1939 – 80 anos da Invasão da Polônia

Seguindo a nossa linha do tempo, o período do Entre Guerras foi marcado pela ascensão dos regimes totalitários na Europa. O nazismo alemão, o fascismo italiano e o stalinismo soviético tinham muitas diferenças. Mas, em comum, mantinham a crença de que um Estado forte era aquele capaz de garantir o andamento de uma guerra, enquanto a paz deveria ser armada. A essa crença, dá-se o nome de “estado de exceção”.

O avanço nazista sobre o Leste Europeu era observado de maneira conivente pelas lentes diplomáticas ocidentais, afinal seria uma barreira ao comunismo soviético. Ao invadir a Polônia em setembro de 1939 tendo em vista minérios e matérias-primas para a sua ascendente indústria bélica, Hitler rompia o pacto Ribbentrop-Molotov assinado com Stálin e dava início à Segunda Grande Guerra. Algo inédito estava em andamento: a tática militar blitzkrieg e o genocídio.

1949 – A Revolução Chinesa

Os desdobramentos da 2º Guerra Mundial sobre o extremo Oriente acirrou os imperialismos de Japão e China. Ocupada pelo Japão, a China assistiu à aliança entre os partidos Nacionalista e o Comunista na defesa da soberania nacional. Porém, com o fim da 2º Guerra, ambos partidos promoveram uma guerra civil que teve fim com a ascensão dos comunistas ao poder, em 1949.

Nesse sentido, a história da Revolução Chinesa nos seria importante por dois motivos: o primeiro é a maneira como se insere no quadro geral da esquerda mundial, pois enquanto a Revolução Russa foi urbana e deu origem à diferentes perspectivas como o “leninismo”, o “trotskismo” e o “stalinismo”, a Revolução Chinesa mobilizou os trabalhadores rurais e deu origem ao que se chamou de “maoísmo”, a luta política a partir do campo.

Num segundo momento, a hegemonia do chamado “socialismo de mercado” da China contemporânea encontra suas raízes em seu histórico comunista, afinal trata-se de um país monopartidário que detém os controles econômicos do livre mercado, por contraditório que isso possa parecer.

1969 – 50 anos da Conquista da Lua

Uma das características mais marcantes da Guerra Fria foi a corrida armamentista. As disputas ideológicas extrapolaram as fronteiras nacionais e eram traduzidas na conquista do espaço. Para se compreender melhor como essas questões contaminavam o cotidiano da época, eu sugiro o filme “Boa noite, boa sorte”, dirigido por George Clooney.

A URSS ter lançado o primeiro ser vivo a orbitar a Terra: em novembro de 1957, a cadela Laika seria a ponta de lança soviética da conquista espacial. Na sequência, Yuri Gagarin foi o primeiro humano a observar a Terra, em abril de 1961. Entretanto, foram os Estados Unidos com Neil Armstrong que conseguiu atingir o solo lunar em julho de 1969. O filme “O primeiro homem”, de Damien Chazelle é uma boa dica para conhecer essa história.

1979 – 40 anos da Revolução Islâmica

Um grupo de líderes políticos e religiosos conduzidos pelo Aiatolá Khomeini abriu o ano de 1979 iraniano: num primeiro momento, a articulação política entre liberais e setores progressistas almejavam tirar o xá Reza Pahlavi do poder. Num segundo momento, Khomeini conduziu o país na direção de uma república islâmica teocrática, o que, na prática, significou associar o Código Civil ao Alcorão.

Valendo-se de estratégias como a difusão de fitas cassetes com mensagens religiosas de cunho revolucionário, a Revolução conseguiu adesão popular e deu origem ao Irã tal como se conhece hoje em dia: um país marcado pela repressão cultural e política e, em termos diplomáticos, alinhado com as potências rivais dos interesses norte-americanos. Essa história pode ser bem conhecida através dos quadrinhos de Marjane Satrapi, que também se tornou um filme clássico, “Persépolis”.

1989 – 30 anos da Queda do Mauer

Com o fim da 2º Guerra Mundial, as potências centrais, EUA e URSS, realinharam suas diplomacias em função das ideologias capitalista e comunista. Isso significou sobrepor estas questões ideológicas às fronteiras nacionais ou, em outras palavras, os assuntos domésticos de um país necessariamente passariam a estar atrelados a essas dimensões estratégicas.

A construção do “Mauer”, o Muro de Berlim, entre os anos de 1955 e 1961 foi a síntese dessas tensões ideológicas: ele foi a maior expressão da chamada Guerra Fria. Dentre os vários filmes que abordam este tema, podemos citar: “Adeus, Lênin”, “A vida dos outros” e a série russa “Adeus, Camaradas”.

Esperamos que tenham aproveitado a leitura! Agora, é com vocês: bons estudos e continuem contando com o Vestibular em cena aqui no Jornal OVALE!

Abraços,

Fábio Monteiro

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